“Atualmente, para além de comermos porque o nosso organismo precisa de ser alimentado para sobreviver, comemos por prazer, por razões sociais, por pressão de outros, por desejo ou porque os estados psicológicos assim nos exigem. Na verdade, o prazer de comer está a tornar-se, dia após dia, mais forte do que qualquer outra motivação para comer e, muitas vezes, fica fora de controlo. Contudo, nem tudo está perdido. É importante perceber que somos nós que controlamos o nosso corpo, os nossos atos, mas também as nossas ações. Só temos de querer fazê-lo. Não há qualquer problema em fazer excessos, quando estes são feitos de forma consciente e inteligente, porque é importante que haja equilíbrio entre o saudável e o prazeroso. Comer, contrariamente ao que muitos pensam, não é um processo automático. Ou seja, não é um processo involuntário que ocorre quer queiramos quer não, como por exemplo, o processo digestivo que não pode ser interrompido só porque nos apetece. Na verdade, temos total controlo sobre o que comemos, quando comemos e como comemos. A capacidade de decidir está sempre do nosso lado, mesmo que por vezes sintamos que não é assim. Há uma série de emoções que mexem connosco, com o nosso bem estar e com a relação que estabelecemos com a comida. Quando elas são mais intensas e nos deitam “abaixo”, temos que compensá-las, de alguma forma. Ir às compras, ir ao cinema, chorar, ver um filme ou dar um passeio, são algumas das formas mais comuns que encontramos para lidar com estas emoções. Mas não são as únicas. Por vezes, fazêmo-lo também com a comida. Demasiadas vezes com a comida… E a comida pode ser, de facto, uma distração eficaz, mas apenas temporária, que acarreta, invariavelmente, emoções mais negativas. Falemos de um exemplo concreto: a ansiedade. A ansiedade é uma emoção muito comum entre todos nós. Para ficar com uma noção do seu impacto, basta ter em conta que durante o ano de 2013, 16,5% da população portuguesa sofria de ansiedade. Os números continuam a aumentar exponencialmente e a verdade é que estes são referentes apenas aos casos diagnosticados. Os problemas, as preocupações, os medos, as inseguranças ou apenas o dia a dia, deixam-nos ansiosos. O coração começa a palpitar mais do que devia, sentimos suores frios, o corpo dói, sentimos um nó no estomâgo e, como se isto tudo não bastasse, o discurso falha e não conseguimos expressar-nos como queremos. Por um lado, só queremos estar deitados, na cama ou no sofá, com um balde de gelado bem grande ao lado ou com um pacote de bolachas. Ou sentimos uma vontade irresistível de comer tudo o que está à frente. É estranho, mas parece que tudo se torna mais fácil, mais calmo e mais relaxante se comermos. No dia seguinte ou apenas uns instantes mais tarde, percebemos que comer emocionalmente não resolveu o que estava na origem da aflição e, para agravar, provocou ainda mais ansiedade associada a sentimentos de culpa e de fracasso. O primeiro passo para solucionar o problema passa por perceber que a ansiedade existe e pode afetar qualquer pessoa. Até a si. É bem possível que esteja a sofrer desse problema ou, como eu prefiro chamar, dessa EMOÇÃO, de forma mais acentuada. Mas é possível controlá-la e, mais importante que tudo, é possível controlar-se a si próprio. Não há mal nenhum em sentir-se ansioso, triste ou preocupado, Aliás, diria que é “bom” sentir estas emoções negativas. São elas que permitem valorizar ainda mais as emoções positivas. O problema é a forma como actua mediante o aparecimento dessas emoções. O controlo das emoções, pensamentos, alimentação e desejos pode ser, em parte, feito por si. A ansiedade faz parte da vida e o mais importante é a forma como lidamos com ela. Quando temos dificuldade em lidar com as emoções, derrapamos facilmente para a fome emocional ou ingestão emocional e é aí que perdemos o controlo, sobre o que comemos e como comemos. Há uma distinção muito importante que deve ser feita: fome fisiológica e fome/ingestão emocional. A fome fisiológica deriva da necessidade que o nosso corpo tem de se alimentar para poder executar as nossas funções diárias e garantir a sua subsistência. Já a fome/ingestão emocional está associada a vários tipos de mal-estar psicológico e, muitas vezes, pode ter ainda como consequência o aumento do peso. Diria que a fome emocional está muito interligada com os desejos súbitos. Existe uma grande tradição que leva as pessoas a acreditarem que o desejo por certos alimentos existe devido à deficiência de nutrientes específicos. Errado! Vou-lhe dar um exemplo: acreditou-se, em tempos, que o desejo incontrolável pelo chocolate estava associado a uma carência de magnésio. Ora, se outros alimentos, como os espinafres, contêm mais magnésio do que o chocolate, porque é que não vemos ninguém com desejos súbitos por espinafres? Os desejos são temporários e passageiros e têm início na nossa mente. Eles levam-no a acreditar que o corpo precisa de um determinado tipo de alimento, mas isso parece estar longe da verdade, pois os motivos são mais psicológicos do que fisiológicos. Quando conseguir fazer esta distinção, tudo será mais fácil de resolver. Ou seja, se perceber que o que o leva a comer determinado tipo de alimentos ou uma grande quantidade de alimentos são as emoções e, neste caso em concreto, a ansiedade, será muito mais fácil lidar e solucionar o problema. Dicas: Para que este processo se torne mais fácil, seja feito com menos esforço e seja duradouro, recorra a um Psicólogo. Hoje em dia há muitos que trabalham especificamente na área do emagrecimento.O objetivo não é levá-lo ao emagrecimento físico, mas sim dar-lhe as ferramentas necessárias para mudar a sua mente. Para mudar as suas crenças e os seus hábitos e, sobretudo, para que a dieta se torne num novo estilo de vida, mais saudável e sem compulsões, que o deixe feliz consigo próprio, com a sua capacidade de controlo, com as suas escolhas, com o espelho. Enfim, com tudo o que o envolve e rodeia! Juntos, irão treinar a sua mente,…