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Dúvidas e interrogações
Quando sinto algo… mas a minha mente diz que é impossível
Uma abordagem da Psicoterapia Holística
É muito comum ouvirmos pessoas dizerem:
“Eu sinto isto… sinto mesmo… mas quando penso sobre o que sinto digo a mim própria: isso é impossível.”
Esta vivência surge com especial frequência em temas que ultrapassam o que é visível ou racionalmente comprovável, como a espiritualidade, a intuição profunda ou a ideia de que a vida pode continuar para além da morte.
Este conflito interno não é sinal de confusão nem de fragilidade psicológica. Pelo contrário, revela um ponto muito importante do processo de consciência humana.
Sentir e pensar não são a mesma coisa
Um dos primeiros aspetos a clarificar é que sentir e pensar pertencem a níveis diferentes da experiência.
O sentir é imediato, profundo e muitas vezes corporal. Surge antes das palavras e não precisa de explicações para existir.
O pensar, por sua vez, organiza, compara, analisa e julga com base em crenças, aprendizagens culturais e modelos racionais.
Quando alguém diz “eu sinto, mas penso que é impossível”, o que está a acontecer é um choque entre estes dois sistemas.
O sentir afirma uma experiência interna.
A mente pergunta se essa experiência encaixa no que foi aprendido como aceitável ou lógico.
Não há erro neste processo. Há apenas dois níveis de funcionamento a tentar dialogar.
O peso do condicionamento cultural
Vivemos numa sociedade que valoriza fortemente aquilo que pode ser explicado, medido e provado. Desde cedo, muitas pessoas aprendem que:
Quando surge uma experiência interna que não se encaixa nestes critérios — como uma sensação de continuidade da vida para além da morte — a mente reage com mecanismos de proteção: nega, desvaloriza ou tenta silenciar o sentir.
É aqui que aparece a frase tão frequente:
“Eu até sinto… mas isso não pode ser verdade.”
A perspetiva da psicoterapia holística
A psicoterapia holística reconhece que o ser humano não se resume ao corpo e à mente racional. Existe um nível de consciência mais profundo, onde a experiência não depende da lógica linear nem das crenças adquiridas.
Neste nível:
O sentir profundo não pede autorização à mente para existir. Ele surge quando há espaço interno para tal.
A mente não é inimiga do processo
É importante compreender que a mente racional não está errada. Ela funciona como um guardião da identidade e da segurança psicológica.
Quando a mente diz “isso é impossível”, muitas vezes está apenas a afirmar:
“Não tenho ainda referências para integrar esta experiência com tranquilidade.”
O trabalho terapêutico não passa por combater a mente nem por impor crenças. Passa por criar espaço para que o sentir possa existir sem ser imediatamente julgado ou reprimido.
Mudar a pergunta muda o caminho
Uma transformação essencial acontece quando a pessoa deixa de perguntar:
“Será isto verdade ou mentira?”
e começa a perguntar:
Estas perguntas não exigem provas. Convidam à escuta interna e à integração.
A vida para além da morte: sentir antes de acreditar
No tema da vida para além da morte, a psicoterapia holística não procura convencer ninguém. Muitas pessoas não acreditam racionalmente, mas sentem algo que aponta para continuidade.
A mente pode não acreditar, e isso é legítimo.
O sentir pode existir, e merece respeito.
Não se trata de escolher uma crença, mas de permitir que a experiência interna seja acolhida com honestidade e segurança.
O papel do terapeuta
O terapeuta holístico oferece um espaço onde o sentir não é corrigido nem invalidado. Validar não significa afirmar que algo é objetivamente verdadeiro. Significa reconhecer que a experiência subjetiva tem valor e pode ser explorada com cuidado.
É neste espaço que muitas pessoas conseguem, pela primeira vez, deixar de viver em guerra consigo próprias.
Conclusão: da negação à integração
Quando a pessoa compreende que:
abre-se um caminho de integração profunda.
A psicoterapia holística não pretende dar respostas definitivas aos grandes mistérios da existência. O seu propósito é ajudar cada ser humano a viver a sua experiência interna com mais consciência, menos medo e maior respeito por si próprio.
E, muitas vezes, é nesse espaço de escuta interna que surgem respostas que a mente, sozinha, nunca conseguiria alcançar.