Skip to content

Fome Emocional: Quando o Excesso de Peso Não Começa no Prato

 

Nem sempre comemos porque temos fome. Por vezes, comemos porque não sabemos o que fazer com aquilo que sentimos.

Quantas vezes já tentaste emagrecer?

Quantas dietas começaste com determinação, convencido de que, desta vez, seria diferente?

E quantas vezes, apesar de todo o esforço, acabaste por regressar aos mesmos hábitos, às mesmas dificuldades e, por vezes, ao mesmo peso?

Talvez conheças aquela sensação de saber perfeitamente o que deves comer, mas, em determinados momentos, sentires que não consegues evitar aquele doce, aquele chocolate ou aquela visita ao frigorífico, mesmo sem teres fome.

E depois chega a culpa.

A sensação de teres falhado mais uma vez.

A promessa de que amanhã vais ter mais força de vontade.

Mas será que o problema é realmente falta de força de vontade?

E se a dificuldade não estiver apenas naquilo que comes, mas também naquilo que sentes?

Esta é uma questão que merece a nossa atenção.

O que é, afinal, a fome emocional?

A fome emocional acontece quando procuramos na comida uma resposta para aquilo que estamos a sentir, em vez de comermos apenas para satisfazer uma necessidade física.

Pode surgir num momento de ansiedade, depois de um dia particularmente difícil, quando nos sentimos tristes, frustrados, sozinhos ou simplesmente vazios.

Nessas alturas, a comida pode transformar-se numa espécie de refúgio.

Um chocolate parece trazer algum conforto.

Um pacote de bolachas ajuda a aliviar a tensão.

Uma refeição mais abundante parece compensar um dia emocionalmente desgastante.

E, durante alguns momentos, até podemos sentir-nos melhor.

O problema é que a emoção que nos levou a procurar a comida nem sempre desaparece.

Por vezes, regressa acompanhada de outro sentimento: a culpa por termos comido.

E assim pode nascer um ciclo difícil de interromper.

Sentimos desconforto emocional, procuramos alívio na comida, sentimo-nos melhor por momentos e, depois, voltamos a sentir-nos mal.

É importante compreender que este comportamento não significa necessariamente falta de disciplina.

Muitas vezes, representa uma forma de lidar com emoções para as quais ainda não encontrámos outras respostas.

Nem sempre o excesso de peso é uma questão de comer demasiado

Durante muitos anos, habituámo-nos a ouvir que, para emagrecer, bastava comer menos e fazer mais exercício físico.

A alimentação e a atividade física são, naturalmente, fundamentais para a saúde e para a gestão do peso.

Mas não são os únicos fatores envolvidos.

O nosso peso corporal é influenciado por diversos mecanismos, incluindo fatores genéticos, hormonais, metabólicos, comportamentais e emocionais.

O sono, o stress, determinadas condições de saúde e alguns medicamentos também podem desempenhar um papel importante.

E há algo que nem sempre recebe a atenção que merece: a relação entre a nossa mente, as nossas emoções e os nossos comportamentos alimentares.

Uma pessoa pode conhecer todas as regras de uma alimentação equilibrada e, ainda assim, sentir enormes dificuldades em colocá-las em prática.

Não necessariamente porque não quer mudar.

Mas porque, em determinados momentos, a necessidade de conforto emocional se sobrepõe à intenção consciente de manter determinados hábitos.

É por isso que, em algumas situações, uma dieta pode não ser suficiente.

Quando a comida se transforma num conforto emocional

Pensa por um instante na forma como a comida esteve presente ao longo da tua vida.

Desde pequenos, aprendemos a associar determinados alimentos a momentos de prazer, celebração e conforto.

Quem não se recorda de receber um doce como recompensa por se ter portado bem?

Ou de encontrar numa refeição especial uma forma de celebrar um momento feliz?

Estas experiências fazem parte da vida e não têm, por si só, nada de errado.

A dificuldade pode surgir quando a alimentação se transforma numa das principais formas de lidar com emoções desagradáveis.

Quando estamos tristes, comemos.

Quando estamos ansiosos, comemos.

Quando nos sentimos sozinhos, procuramos alguma coisa para petiscar.

E, por vezes, até quando estamos felizes sentimos necessidade de celebrar com comida.

Com o passar do tempo, estes comportamentos podem tornar-se tão habituais que deixamos de reconhecer aquilo que realmente os desencadeia.

A mão procura o alimento quase automaticamente.

Mas talvez aquilo de que precisamos, naquele momento, não seja de comida.

Talvez precisemos de descansar.

De conversar com alguém.

De nos sentirmos compreendidos.

De encontrar uma forma de aliviar a ansiedade.

Ou simplesmente de parar e prestar atenção ao que se passa dentro de nós.

Porque nem todas as necessidades emocionais se resolvem através da alimentação.

A mente e as emoções também influenciam o corpo

O nosso corpo e a nossa mente não funcionam como duas realidades completamente separadas.

Aquilo que sentimos pode influenciar a qualidade do sono, os níveis de stress, a motivação para a atividade física e as nossas escolhas alimentares.

Quando atravessamos períodos emocionalmente exigentes, é natural que alguns dos nossos hábitos se alterem.

Há pessoas que perdem o apetite.

Outras sentem uma vontade muito maior de comer.

E há quem procure sobretudo alimentos associados a sensações de prazer e conforto.

Estas respostas não são iguais para todos.

Mas ajudam-nos a compreender porque é que o acompanhamento do excesso de peso deve considerar a pessoa na sua globalidade.

Não somos apenas aquilo que comemos. Somos também a forma como vivemos, sentimos e cuidamos de nós próprios.

E quando ignoramos sistematicamente a dimensão emocional, podemos estar a deixar de fora uma parte importante do problema.

E se, antes de começares outra dieta, procurares compreender-te melhor?

Se te revês em algumas destas situações, talvez seja importante começares por fazer uma pergunta diferente.

Em vez de perguntares apenas:

«O que tenho de deixar de comer para emagrecer?»

Experimenta perguntar:

«O que acontece comigo nos momentos em que sinto necessidade de comer sem ter fome?»

Esta pequena mudança de perspetiva pode ajudar-te a reconhecer padrões que até agora passaram despercebidos.

Não significa que devas abandonar uma alimentação equilibrada.

Muito menos que o acompanhamento nutricional deixe de ser importante.

Significa apenas que, quando existe uma componente emocional relevante, pode ser necessário cuidar também dessa dimensão.

O acompanhamento psicoterapêutico pode ajudar a identificar os fatores emocionais associados à alimentação, a desenvolver estratégias de autorregulação e a construir uma relação mais equilibrada com a comida.

Na Psicoterapia Transpessoal, procuramos compreender a pessoa de forma abrangente, considerando a sua história, as suas experiências e os padrões emocionais que podem influenciar o presente.

O objetivo não é julgar comportamentos nem procurar culpados.

É ajudar cada pessoa a compreender-se melhor e a desenvolver novas formas de responder às suas necessidades.

Porque a mudança torna-se mais sustentável quando deixamos de estar permanentemente em conflito connosco próprios.

Emagrecer com saúde é cuidar da pessoa, não apenas do peso

Na Clínica EM FORMA, em Telheiras, Lisboa, acreditamos que cada pessoa merece uma abordagem individualizada.

Por isso, reunimos diferentes áreas de intervenção que podem complementar-se num processo de emagrecimento.

A Nutrição ajuda a construir hábitos alimentares equilibrados e adequados às necessidades individuais.

A Psicoterapia Transpessoal pode contribuir para compreender e trabalhar os fatores emocionais associados à alimentação, quando estes estão presentes.

A Estética Clínica especializada disponibiliza tratamentos complementares de modelação corporal e melhoria de determinadas características da pele, sempre de acordo com uma avaliação individual.

São intervenções com objetivos diferentes, mas que podem integrar um percurso de cuidados mais abrangente.

Porque emagrecer não deve significar viver numa luta permanente contra o próprio corpo.

Deve significar aprender a cuidar dele com mais consciência, equilíbrio e respeito.

O primeiro passo pode começar dentro de ti

Se já tentaste emagrecer várias vezes e sentes que existe algo que te impede de manter os resultados, talvez seja importante olhar para a tua relação com a alimentação de uma forma diferente.

Não te julgues por aquilo que ainda não conseguiste mudar.

Procura compreender o que está por detrás dos teus comportamentos.

E, se sentires necessidade, procura ajuda profissional.

A fome emocional pode ser trabalhada, e existem estratégias psicológicas que ajudam a desenvolver uma relação mais saudável com a alimentação.

Lembra-te: cuidar do teu corpo é importante. Mas cuidar das tuas emoções também faz parte da tua saúde.

E talvez esta seja uma boa altura para começares a olhar para ti com mais compreensão e menos exigência.

Porque a verdadeira mudança não precisa de começar com mais uma dieta.

Pode começar com uma pergunta simples:

«De que preciso realmente neste momento?»

Back To Top