Há pessoas extremamente inteligentes… mas emocionalmente cansadas. Pessoas cheias de talento… mas constantemente bloqueadas. Pessoas…
“Dentro de cada adulto continua a existir uma parte emocional que aprendeu a sentir, a amar, a confiar, a ter medo e a relacionar-se com o mundo quando era criança. Embora o corpo tenha crescido, muitas dessas aprendizagens emocionais continuam ativas e influenciam as nossas reações atuais.”
Uma metáfora simples
Costumo comparar a criança interior a um computador.
O hardware vai sendo atualizado ao longo da vida. O corpo cresce, a inteligência desenvolve-se, adquirimos conhecimentos e experiências.
Mas parte do software emocional foi instalado nos primeiros anos de vida.
Se uma criança cresceu a sentir-se amada, valorizada e segura, esse software tende a gerar confiança e autoestima.
Se cresceu a sentir abandono, rejeição, humilhação, insegurança ou falta de reconhecimento, esses programas podem continuar ativos durante décadas, mesmo que a pessoa não tenha consciência disso.
Por isso encontramos adultos que:
- Têm medo de ser rejeitados.
- Procuram aprovação constante.
- Sentem que nunca são suficientemente bons.
- Sabotam o próprio sucesso.
- Têm dificuldade em confiar.
- Desenvolvem dependências emocionais.
- Reagem de forma desproporcionada a situações aparentemente pequenas.
Na verdade, muitas vezes não é o adulto que está a reagir.
É a criança ferida que continua a pedir ajuda.
“Nem sempre reagimos ao que está a acontecer hoje. Muitas vezes reagimos ao que aquilo nos faz sentir e que já sentimos no passado.”
Por exemplo:
Um chefe faz uma crítica.
O facto é apenas uma crítica.
Mas se essa crítica toca numa antiga ferida de desvalorização criada na infância, a pessoa pode sentir-se profundamente atacada, humilhada ou incapaz.
O problema não está apenas na situação presente.
Está na ferida antiga que foi ativada.
O que significa curar a criança interior?
Curar a criança interior não significa apagar o passado.
Também não significa fingir que nada aconteceu.
Significa ajudar o adulto a:
- Compreender o que viveu.
- Reconhecer as suas feridas emocionais.
- Libertar emoções reprimidas.
- Dar um novo significado às experiências.
- Desenvolver recursos emocionais que não existiam na época.
- Aprender a cuidar de si próprio de forma saudável.
É como se o adulto de hoje fosse buscar pela mão aquela criança que ficou presa num momento difícil da sua vida e lhe dissesse:
“Agora já não estás sozinho. Eu estou aqui. Eu vejo-te. Eu compreendo a tua dor. E vou cuidar de ti.”
O resultado da cura
Quando a criança interior começa a sarar, normalmente observamos mudanças profundas:
- Menos ansiedade.
- Menos medo.
- Menos necessidade de aprovação.
- Mais autoestima.
- Mais capacidade de colocar limites.
- Relações mais saudáveis.
- Maior capacidade de tomar decisões.
- Mais paz interior.
- Mais autenticidade.
A pessoa deixa progressivamente de viver em modo de sobrevivência e começa a viver em modo de realização.
“A criança interior é a parte emocional de nós que guarda as experiências da infância. Quando essa criança ficou ferida, muitas dessas feridas continuam a influenciar a vida adulta. Curar a criança interior significa libertar essas dores antigas para que o adulto possa viver com mais liberdade, autoestima, paz e felicidade.”
“Muitas vezes não estamos a tentar mudar quem somos. Estamos apenas a remover as feridas que nos impediram de ser quem sempre fomos.”
Por toda a vida somos Criança
E Sempre Sempre Sempre
Temos de cuidar da nossa Criança Interior
António Soares Neto
Ajudo pessoas a lidar melhor com as suas vidas
